Arquivo de contos

Caderno I

 

O céu tinha um tom azul marinho e o barro havia acumulado montinhos quando Teo se levantou com dificuldade do chão. Encolheu-se para manter o pouco calor que seu corpo gerava. O vento alisava a superfície das pequenas dunas que salpicavam o deserto. O oeste ardia em cores: rosadas e amarelas.

Teo nunca havia sentido tanto frio em sua vida. Os dentes batiam e a pele do corpo inteiro estava gelada. Na luz fraca viu que a roupa havia rasgado em mil lugares diferentes durante sua corrida através da fossa e que tinha os braços e as pernas cheios de arranhões. Não tinha notado as feridas durante sua desesperada luta pela sobrevivência, mas agora tudo dói em seu corpo.

- Saí, – disse – estou a salvo. Você também pode. Só tem que seguir minha voz.

LIBERTE-SE.

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